O objetivo deste artigo é desvendar, através do viés da entonação, as marcas da melancolia na poesia de Augusto dos Anjos, o poeta paraibano de transição. Nos fragmentos analisados de alguns de seus poemas, subjazem uma morbidez e certa vontade de caminhar para a morte. Após preparar poeticamente o caminho para isso, Augusto parece demonstrar ódio à morte que, depois, é subestimada por ele. Observa-se, ainda, que a melancolia é retratada pelo viés da entonação tanto em relação à vida quanto à morte, através de uma linguagem que retrata aspectos científicos sobre esse tema, com uma originalidade primorosa na sua única obra literária - “EU”. Neste estudo, utilizam-se as propostas teóricas de Mikhail Bakhtin acerca da entonação, e de Eni Orlandi a respeito de questões que envolvem a leitura. Considerando que o trabalho com a leitura e a interpretação de textos requer métodos adequados, a entonação pode ser um caminho para se desvendarem os sentidos que estão nas entrelinhas dos textos.

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